Curitiba amplia estrutura cicloviária e estimula mais gente a pedalar

A extensão da estrutura cicloviária de Curitiba já aumentou 71,4% desde 2013 e deve dobrar até o fim deste ano. Com isso, a atual gestão terá implantado em quatro anos extensão de vias cicláveis equivalente à que foi construída nos 40 anos anteriores, desde que Curitiba ganhou a primeira ciclovia. É uma estrutura que, associada às centenas de paraciclos espalhados por diversos pontos da cidade e a uma crescente mudança cultural, vem atraindo mais e mais adeptos para o deslocamento sobre duas rodas.
Foto: SMCS



De 2013 até agora, foram implantados 90,76 quilômetros de novas vias cicláveis – que, somados aos 127 quilômetros já existentes, alcançam 217,76 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas, passeios compartilhados, ciclorrotas e vias calmas em Curitiba. A previsão é chegar ao final de 2016 com um total de 127 quilômetros de novas vias cicláveis, totalizando 254 quilômetros.

A prioridade tem sido implantar estruturas que permitam à população utilizar a bicicleta para ir ao trabalho – como é o caso das vias calmas, instaladas nas avenidas Sete de Setembro, João Gualberto e Paraná. A ilustradora e bailarina Giulia Amandit é uma usuária assídua da recém-inaugurada Via Calma João Gualberto-Paraná, usada para a maioria dos deslocamentos entre sua casa e os bairros Centro e Bom Retiro. Moradora do Alto da Glória, Giulia vai de bicicleta ao trabalho, ao mercado, faz compras diversas e visita amigos. Mãe de um menino de 2 anos, já pensa em levá-lo para a escola de bicicleta.

“Para mim, ficou uma maravilha. Seguir pela via calma é muito mais seguro. O ciclista normalmente não sabe qual é o seu lugar: os pedestres reclamam se a gente anda na calçada e os motoristas não gostam de compartilhar o espaço com as bicicletas. Muitos passam bem perto, pra assustar mesmo. A gente acabava sem saber qual era o nosso lugar. Agora, com as vias cicláveis, podemos ocupar o nosso próprio espaço. E precisamos persistir, pois é nosso direito. Só assim as pessoas irão se acostumar”, relata.

Foto: SMCS

 Entre 2012 e 2013, Giulia viveu na Europa. Ao retornar a Curitiba, percebeu o aumento das vias cicláveis, o que lhe deu ânimo para optar pela bicicleta como meio de transporte. “Somos uma família pequena, somente eu e meu filho. Não vale a pena ter carro se posso fazer a maioria dos trajetos de bicicleta”, afirma. A ilustradora também elogiou a Área Calma, que compreende 140 quarteirões na região central de Curitiba, onde a velocidade máxima dos veículos é de 40 km por hora. “Ali, mesmo nos locais onde não há estrutura cicloviária, é mais seguro para os ciclistas trafegarem, em função da baixa velocidade dos veículos”, observa.

Quem também passou a usar a bicicleta com mais frequência nos últimos anos foi a professora Viviane Mendonça. Moradora do bairro Batel, ela dá aulas de Geografia numa escola estadual no Rebouças. “Faça chuva ou faça sol, saio de bicicleta que é sempre a minha primeira opção de deslocamento. A segunda opção é andar a pé e a terceira é tomar o ônibus. Em último caso eu uso táxi. Carro, só se for de carona, pois não dirijo”, diz Viviane, que também usa a bicicleta para ir à academia, ao médico, à manicure, às aulas de Inglês e para fazer compras.

“Andar de bicicleta em Curitiba ficou mais prático, confortável e seguro”, diz a professora que também incentiva seus alunos a pedalar. Em 2012, quando começou a dar aulas no Colégio Estadual Dr. Xavier da Silva, somente Viviane e outro aluno iam de bicicleta. Hoje, pelo menos 15 pessoas usam a bicicleta regulamente no colégio. Em suas aulas, quando o tema é Urbanismo, Viviane tem a oportunidade de ensinar sobre os diversos modais de transporte em Curitiba. Como professora, também se preocupa em transmitir conceitos de educação para o trânsito. “Os ciclistas precisam obedecer às regras de trânsito para conquistar o respeito dos pedestres e motoristas.

Cada um deve fazer a sua parte”, reitera.

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Viviane também usa a própria experiência para incentivar outras mulheres a utilizar a bicicleta em seu dia a dia. Para tanto, criou a página no Facebook “Vou de bike e salto alto”, onde compartilha experiências pessoais e de outras mulheres que adotaram a bicicleta e, aos finais de semana, se divertem fazendo trilhas na Região Metropolitana de Curitiba. Com muitas seguidoras e milhares de curtidas a cada semana em sua página, Viviane tem incentivado mulheres a pedalarem juntas em passeios para que, aos poucos, com mais segurança, consigam inserir a bicicleta em suas atividades cotidianas.

Quem também passou a utilizar as estruturas cicloviárias de Curitiba é o engenheiro Eduardo Del Pentor. “Com a expansão da malha, há facilidade de acesso a várias regiões da cidade por meio da Marechal Floriano, da Sete de

Setembro, da Avenida das Torres, da Mariano Torres e da ciclovia Interparques que foi recentemente recuperada em diversos trechos”, elogia. Como trabalha em outro município, Eduardo não tem como usar a bicicleta durante a semana. Porém, aos sábados e domingos, o engenheiro reúne um grupo de amigos e percorre a cidade de bike. “Creio que os ciclistas estão se adaptando às novas estruturas, ao passo que os pedestres e motoristas também começam a se acostumar com a presença mais intensa de bicicletas”, avalia.

Mudança


“A mudança começou pela própria administração municipal, que teve a sensibilidade de perceber que a bicicleta passou a desempenhar um novo papel em Curitiba. Transformamos em plano de governo essa importante demanda da sociedade”, enfatiza o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Sérgio Póvoa Pires. Foram criadas as coordenações de Ciclomobilidade, no Ippuc, e de Mobilidade Urbana, na Setran, que passaram a atuar de forma integrada.

“A ciclomobilidade é um dos principais temas do planejamento urbano, para que tenhamos uma cidade mais organizada, segura e com espaço para todos. Por isso mesmo, exige uma atuação conjunta de diversos setores”, salienta a secretária municipal de Trânsito, Luiza Simonelli. Houve, então, a elaboração do Plano Estratégico Cicloviário, o incentivo às atividades esportivas e de lazer envolvendo o ciclismo, a implantação de paraciclos e a criação do decreto que prevê vagas para bicicletas nos edifícios, entre outras iniciativas para transformar a bicicleta num modal de transporte para o dia a dia, com possibilidade de integração com outros modais.

Prioridade
De acordo com o arquiteto Antonio Carlos de Mattos Miranda, responsável pelos projetos de ciclomobilidade elaborados pelo Ippuc, a atual gestão dedicou-se a criar e ampliar estruturas que possibilitem os deslocamentos a trabalho. Com base em pesquisas e análises, chegou-se à conclusão que essa é a maior demanda existente na cidade. “Os trajetos mais utilizados coincidem com os eixos estruturais. Por isso mesmo, houve a imediata aprovação das vias calmas pelos ciclistas”, analisa Miranda.

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Pelo mesmo motivo, estão sendo projetadas microrredes cicloviárias na Cidade Industrial de Curitiba, no Sítio Cercado e no Boqueirão. “São áreas planas, próprias para o uso da bicicleta, em que as estruturas cicloviárias serão utilizadas tanto para ir ao trabalho quanto para deslocamentos diversos dentro dos bairros”, afirma Miranda.

Para ampliar ainda mais as oportunidades de uso da bicicleta no dia a dia dos curitibanos, os novos projetos cicloviários visam a conectividade com a antiga malha, ampliando percursos. Também estão previstas conexões para atender demandas metropolitanas, estendendo as vias cicláveis até os limites da cidade. “Desta forma, quem vem de cidades como São José dos Pinhais e Pinhais, por exemplo, terá a oportunidade de utilizar a bicicleta para se deslocar a Curitiba”, conclui Antonio Miranda.

Fonte: SMCS
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