Cicloturismo no Paraguai

Dando sequencia a expedição que começou dia 26 de dezembro pelas Missões, no Rio Grande do Sul, hoje chegou o dia de andar de bicicleta no Paraguay



Este seria um dia diferente, isso eu já sabia, mas não precisava ser tão diferente.
Ocorre que deixei a visita para o Paraguai como uma incógnita nessa trip. Eu não conhecia o lugar, e levar um grupo onde você não conhece, é no mínimo intrigante. Dia 30 de dezembro, sexta-feira.

De propósito sequer reservei hotel. O objetivo principal era visitar as ruínas jesuíticas daquele país, as de Trinidad e Jesus de Tavarengue. Cheguei a fazer três ou quatro roteiros diferentes para chegar até lá. Finalmente, e com a garantia de que havia uma balsa em Corpus, mais perto de San Ignacio, resolvi que atravessaríamos por ali da Argentina para o Paraguai.

Faríamos pouco mais de 50 km na ida, e depois o mesmo na volta, passando a fronteira entre Corpus e Bella Vista. E assim tentamos.

Antes, porém, de partir para a estrada, fomos até as ruínas jesuíticas de San Ignacio Mini, não muito distante de nosso hotel e também da saída da cidade. Eu e a Carmo já conhecíamos, mas a turma não. Curtiram o ambiente e a história e partimos.

A estrada começa difícil, sem acostamento e com muitas subidas e descidas. Já fazia calor. Depois de uns 10 km dobramos à esquerda em direção a Corpus e ao rio Paraná, até um pequeno porto, para pegar a balsa. Antes fizemos a migração, agora registrando a saída da Argentina. Do outro lado, em terras paraguaias, fizemos o registro de entrada naquele país.



Até ali tudo tranquilo, mais de 20 km de pedal, com muito calor, mas chegando ao povoado de Bella Vista, o tempo começou a virar, e o “chaparrão” parecia inevitável.

Antes de entrar no centro da cidade, avistamos um “comedor”, e ali almoçamos uma tradicional milanesa, a R$ 10,00 por pessoa...

Difícil foi lidar com o dinheiro, pois muitos disseram que não haveria necessidade de trocar guaranis, pagando as despesas no Paraguai com os pesos argentinos. Na prática não funcionou, mas com um jeitinho, conseguimos pagar com pesos mesmo.

A relação cambial está assim: um real compra cinco pesos e mil seiscentos e noventa guaranis.

Depois do almoço continuamos. Até ali já tínhamos percorrido 30 km. Preocupados com a história dos guaranis, ficamos de olho se achávamos casa de câmbio.

Somente quando entramos em Obligado, já no centro da cidade, conseguimos um caixa eletrônico do banco Itaú. Três ou quatro de nós conseguiu sacar o dinheiro, entre eles eu. Dividimos entre todos os dez. Sim, estávamos em dez, porque o Augusto, na noite anterior, já havia adiantado que não teria pique para seguir conosco até o Paraguai. Entendi e deixei-o à vontade. Permaneceu no mesmo hotel e ficou de preparar uma “ceia” de ano novo para nós.

Disse que o dia estava diferente, não? Pois é, primeiro porque já havíamos circulado por estrada asfaltada, movimentada, sem acostamento; depois estrada de chão e outra de pedra. Pegamos muito sol e depois muita chuva. Outra coisa: quando fomos atravessar a fronteira, ao pagar o bilhete, fomos avisados de que a balsa não funcionava aos sábados e domingos...



Plano B. Obrigatoriamente teríamos de voltar por Encarnacion e Posadas, mais distante 30 km. Foi ali mesmo no centro de Obligado que a Manu me disse que não iria conosco conhecer os dois sítios arqueológicos da região; preferia fazer o de Trindade, à beira da estrada, em direção a Encarnacion, mas não iria entrar mais 12 km (24 km ida e volta), para conhecer as ruínas de Jesus; disse que não se sentia bem e disposta para aguentar mais tanta coisa.

Na hora, confesso, fiquei chateado; teria que tomar uma decisão. Claro que a primeira coisa que disse, foi a de que eu não largaria sozinha naquela região. Foi quando o Juliano, que estava ao seu lado, disse que a acompanharia. Disse tudo bem, e me afastei deles para ver se conseguia tirar o dinheiro do caixa eletrônico. Depois percebi que ela estava chateada, chorando, e então percebi que não fui bem entendido. Falei que eu estava chateado sim, mas não bravo com ela; é que eu gostaria que ela aproveitasse toda a viagem. Ir tão longe e não chegar ali, tão perto. Já havia deixado o Augusto em São Ignacio, e embora ele seja bem susse, e eu o conheça a tanto tempo, sempre fica aquela pontinha de frustração minha, talvez por ter feito uma programação muito forte, ou que tenha falhado em alguma coisa.

Nem bem deixamos a cidade e pegamos a estrada, e o mundo desabou; muita chuva, mas mantivemos o pique e continuamos mesmo assim. Tinha um bom acostamento e seriam perto de 10 km até a entrada para as ruínas de Jesus de Tavarengue. Antes de completarmos esse trecho, a chuva parou e chegamos a Trindade. Preferimos garantir e ver as ruínas dali primeiro, para depois ir até a outra.






Ao chegar vi um hotel ao lado, bem simples, mas o suficiente para nós. Resolvi mudar os planos, e considerando que o grupo não vem descansando, pedalando todos os dias, e também o que aconteceu com a Manu, entendi por bem ficar por ali mesmo. No outro dia visitaríamos as outras ruínas da região, e seguiríamos até Encarnacion, atravessaríamos para Posadas, na Argentina, e tentaríamos encontrar uma condução, talvez ônibus de linha mesmo, para fazer os últimos 30 km até San Ignácio.

Deixamos as tralhas no hotel e fomos visitar as ruínas, cada um ao seu tempo. Jantamos no hotel mesmo, e o jeito foi descansar. 53 km no dia.



Por Sergio Riekes 
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